quinta-feira, 28 de julho de 2016

A Santidade das Letras Hebraicas



É muito importante vocês que são mães e professoras dentro das nossas sinagogas e Grupos  e todos os demais membros tenham uma compreensão mais profunda desse tema.
Existem muitos estudos na área de Chinuch que tratam desse assunto e o Rabino Mattisyahu Salomon, que tem uma vivência de mais de 30 anos nessa área, em seu livro entitulado “Com os Corações Cheios de Amor”, ele aborda de uma maneira muito interessante esse assunto sobre como ensinar o alef beit (em hebraico chamamos de OTIYOT) às crianças.
Ele salienta que o método tradicional de se ensinar o alfabeto hebraico ele tem o seguinte enfoque: Por exemplo: nós devemos mostrar um grande desenho de um alef (que é a primeira letra do alfabeto hebraico), em seguida devemos identificar essa letra pelo nome e aí seguir treinando as crianças até que elas reconheçam cada letra.
Então depois disso, nós lhes mostramos as nekudot, os sinais com som de vogal, e mostramos novamente e novamente até que elas aprendam. Essa foi a maneira com que os nossos sábios, eles próprios aprenderam o alef beit e é o que os estudiosos em Chinuch recomendam mesmo hoje em dia.
Porém, existem muitos livros de alef beit que você vai encontrar em sites judaicos, mesmo lá em Israel, sempre que vamos lá eu tenho visto em livrarias,  que utilizam recursos visuais para ensinar as letras e, quando as letras são misturadas com imagens de animais selvagens ou outros objetos, isso não é apropriado. E esse é um dos principais aspectos que eu quero ressaltar neste estudo de hoje.
O Rav Eliahu Dessler ele também apoia o método tradicional e enfatiza que as letras e as nekudot (vogais) são destinadas a serem aprendidas no contexto da consciência de sua santidade, e quaisquer mudanças no método tradicional são consideradas uma violação inaceitável.
Por isso você que está querendo aprender hebraico e quer que seus filhos também aprendam, é muito importante que vocês entendam que a aprendizagem do alef beit é muito diferente de qualquer outro idioma existente no mundo. Os outros idiomas não são considerados idiomas sagrados, como o hebraico é “Lashom HaKodesh”.
O propósito principal deve ser o seguinte: as crianças não devem apenas decorar as letras mas, acima de tudo, que elas devem absorver a santidade das letras (consoantes) e as nekudot (vogais), para aprenderem a amá-las e absorver “yrat Shamaim” (“temor aos Céus”) através das letras, e isso só é atingido com o método tradicional consagrado e respeitado por sua antiguidade. Por todas as gerações, o povo judeu que estuda a Torá, tem sido ensinado dessa maneira. É uma segulá (remédio espiritual) especial que estes sentimentos sejam inspirados nas crianças quando elas observem e estudam as letras individualmente.
Rav Dessler escreveu em relação ao uso de palavras inteiras para ensinar o alef beit que, por exemplo apresentar a letra num como um tigre feroz (em hebraico é a palavra namer que começa com a letra num) recostado em uma cadeira com as pernas estendidas, não é a maneira correta de se ensinar essa letra. Isto certamente não vai ajudar a criança a valorizar a santidade profunda da letra.
Portanto, integrar as letras em uma história com animais, etc não faz com que as letras se sobressaiam mais nitidamente, compreendem isso? Esse método é muitas vezes usado em alfabetos de diferentes idiomas, mas o hebraico como nós sabemos, ele é um idioma sagrado e não pode ser ensinado dessa maneira.
Pelo contrário, é uma distração séria das próprias letras. Pode ser que a criança acabe aprendendo as letras até mesmo dessa maneira, mas sua mente não foi desafiada, foi tudo aprendido de maneira superficial. Muitas vezes isso acaba trazendo confusão na mente da criança. E quando as imagens desaparecem, ela não fica com uma imagem clara das letras em sua mente, ela fica apenas com alguns contornos indistintos, entendem?
Ensinar com base em recursos visuais é algo rápido, mas não é de uma maneira profunda. Então, quanto mais algo é descrito e ilustrado, menos a criança tem que pensar.  Este tipo de ensino apela para o imaginário da criança, que se desenvolve muito mais rapidamente do que a sua capacidade de pensar no abstrato, mas não a encoraja a raciocinar intensamente. E, conforme a criança cresce, ela fica para trás em sua capacidade de se concentrar e ter raciocínios abstratos. Ela, pode inclusive passar a ter dificuldade para ler e pode até acabar não tendo um nível de atenção para ouvir um shiur (aula) inteiro.
Antigamente os talmidim chachamim eram capazes de se concentrar em um assunto por horas a cada vez. E para vocês entenderem melhor, quando as letras e as nekudot são mostradas para a criança sem adornos, sem ilustrações, no entanto, ela precisa criar as imagens em sua mente para conectar os sons com as imagens. É assim que ela irá aprender a se concentrar e é assim que irá aprender a desenvolver o pensamento mais abstrato.
Na Torá encontramos imagens usadas para ilustrar apenas algumas coisas que estão além da experiência do aluno. O Ribono Shel Olam disse a Moshê: “Estes são os animais”.  E o Talmud nos diz (Clulin 42a ) que o Eterno mostrou a Moshê cada um dos animais. Moshê precisava saber como todos os animais se pareciam. Isso não era algo que poderia ser descoberto através da lógica. Assim, Hashem lhe mostrou primeiramente as imagens.
Por outro lado, uma imagem envolve o que? Envolve a imaginação, mas não o poder do pensamento racional. E quando Moshê teve dificuldade em compreender exatamente como a menorá se parecia, o que foi que o Eterno fez? O Eterno mostrou-lhe uma menorá de fogo. Mas Ele não lhe mostrou imagens do Mishkan(tabernáculo) acabado. Ele deu a Moshê um conjunto de instruções complicadas e esperava-se que Moshê as entendesse.
Concluindo então, uma criança pode  passar anos na escola sem ter realmente usado sua capacidade de pensar. Tudo foi facilitado para ela com desenhos e histórias. Claro, era agradável e emocionante, mas não lhe fizeram nenhum favor, por quê? Porque ela nunca aprendeu a pensar de forma abstrata!
Se uma criança tem problemas de aprendizagem, então podemos muito bem dar-lhe fotos, por exemplo. Mas, se a criança tem capacidade de aprendizagem normal, nós temos que exercitá-la e desenvolvê-la. É muito importante que nós a desafie-mos a pensar no abstrato. Não devemos queremos dar-lhe fotos, imagens etc.
Quanto mais fácil for, menos necessidade há de concentração e pensamento abstrato e é menos provável que a criança vá desenvolver as suas aptidões para conseguir uma profundidade da sua capacidade de compreensão e de entendimento.
Quando estudamos o Livro Sefer Ietsirá, que é o Livro da Criação nós aprendemos que, quando o Eterno começou a Sua Criação Ele fez primeiramente o que? Ele fez primeiramente as letras. Por essa razão as letras são chamadas Fundação, porque? Porque foi através das letras do alfabeto hebraico que o Universo foi criado.  “Com elas Ele descreveu tudo o que foi formado e tudo o que será alguma vez formado “(Mishná 2:2).
Em cada ato da Criação a Torá relata que D´us disse seja a luz e depois disse “haja um firmamento”. Os decretos mediante os quais o Eterno trouxe a Criação à existência consistiram em ditos, ou seja consistiram em palavras e estas eram compostas por letras. Portanto, foi através das letras hebraicas que o Universo foi criado e também através delas o Universo é sustentado constantemente. Em Tehilim 119:89 está escrito: “Por todo o sempre, ó D´us Tua palavra permanece nos céus.”
No “Livro das Letras” do Rabino Kushner nós aprendemos também que, quando Moshê quebrou o primeiro conjunto das tábuas da Torá, as letras ascenderam de volta a Hashem.
Há uma história do Rabino Hananya ben Teradyon que foi envolto em um pergaminho da Torá e queimado vivo. Momentos antes de sua morte, seus alunos gritaram: “Mestre! O que está vendo?”. E ele respondeu:: “O pergaminho está queimando, mas as letras, elas voam em direção aos céus”. Elas (as letras hebraicas) são sagradas e não podem ser assim danificadas ou destruídas, certo? Por isso ele viu as letras retornando aos céus!
O alfabeto hebraico é mais do que uma coletânea de sinais para representar sons. As letras são símbolos cuja forma e nome, bem como a posição no alfabeto e as palavras por elas iniciadas colocam-nas, cada uma, no centro de uma constelação espiritual única. As próprias letras são sagradas. São os barcos que transportam a luz Daquele que é Infinito e Incomensurável -  o nosso Criador Maravilhoso.

Assim, nossa meta é seguirmos ensinando nossas crianças e jovens o alef beit da maneira tradicional e correta e nós adultos também. Em todas as nossas sinagogas já estamos fazendo isso com turmas de crianças que realmente estão aprendendo o alfabeto e já conseguem ler o SIDUR e a Torá com as letras quadráticas. Queremos encorajar todos vocês dos Grupos da Beit El Shamah a fazerem o mesmo. Estamos facilitando prá vocês através do Blog Mães e Filhos onde colocamos uma série de aulas e agora temos também esta Apostila escrita pela Ismara  Claret que está à venda na nossa Loja Virtual e há um bom estoque para vocês adquirem para seus filhos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

COMO TRANSFORMAR A NOSSA EXISTÊNCIA EM UMA VIDA VERDADEIRAMENTE COM SENTIDO?


Esse parece ser um tema simples, porém muito depende de cada uma de nós mulheres, a maneira como  nós nos conduzimos e como nos posicionamos a cada dia da nossa existência.
E, para aquelas de nós que já temos um relacionamento consistente com Hashem a cada dia, não somente conduzindo nossas rezas (Shacharit, Minchá e Arvit), mas nós que temos consciência e um desejo ardente de sermos verdeiramente guiadas pelo Seu Espírito em tudo o que fazemos, em tudo o que falamos e em todas as decisões que tomamos, sabemos o quão precioso isso é, pois o fato de sermos conduzidas por Ha Kadosh Baruch Hu, mesmo estando vivendo nesse mundo de Assiá tão rudimentar e grotesco, isso é que o que há de mais maravilhoso! Então é muito importante nós desejarmos isso e apreciarmos o fato de sermos sempre guiadas por Hashem. E essa experiência que passamos a ter com Ele, certamente move a nossa vida com muito mais sentido, significado e verdadeira inspiração nas coisas que fazemos e naquilo em que tocamos.

Hashem, o Criador do Universo, tão grandioso e majestoso e, ao mesmo tempo tão doador e detalhista, está sempre pronto a manifestar Seu amor de uma maneira tão específica para aquelas de nós que, de todo o coração, estamos dispostas a deixar que Ele nos conduza através das diferentes situações que vivenciamos nessa vida, vocês não acham?
E assim, quando nós nos dispomos a viver uma vida onde a nossa entrega a Ele e ao Seu serviço passam a ser uma prioridade máxima para nós, isso realmente dá um significado muito especial e maravilhoso à nossa jornada. Agora, para isso precisamos entender que, quem gostaria de nos ajudar em  todos os aspectos que envolvem a nossa vida, é o próprio Espírito de D´us, claro! Só que, para chegarmos a esse ponto, onde temos que ter uma emuná plena Nele e uma entrega muito profunda, nós precisamos nos conscientizar do quão limitadas nós somos e, embora Ele nos tenha dado o livre arbítrio, sabemos que em razão da grandeza do Eterno e do Seu amor e cuidado por nós, Ele quer nos ensinar a dependermos Dele, de tal forma, que O consultemos para tudo o que nós fazemos. E, à medida que vamos sendo bem sucedidas nas decisões que tomamos, mais passamos a ter gosto e desejo de fazer as coisas à Sua maneira.

Agora, isso envolve, sem dúvida nenhuma, uma busca intensa, busca constante e uma escuta acurada de Suas instruções a cada momento do dia. É claro que Hashem não espera de nós perfeição, porém, é fundamental entendermos que, o mais importante, é o nosso desejo de fazermos as coisas de acordo com a Sua Vontade. Esse desejo profundo de agradarmos a Hashem e, com isso atrairmos a Sua Luz que vem sobre nós e nos traz clareza de mente e nos ajuda a enxergar as coisas como de fato elas devem ser, isso deveria nos animar a querermos buscá-Lo, como eu falei, constantemente.

Porém, em razão de imperfeições nossas, bloqueios e kelipot (cascas de impurezas) que nos dificultam e, por vezes, nos impedem de captarmos plenamente Suas instruções, todas nós precisamos estar alertas, precisamos  cooperar, o máximo possível, com todo o trabalho que Seu Espírito faz em nossa alma com o propósito de quebrar essas resistências e também de retirar a força do yetser  hará que, a cada dia,  age em nós  na tentativa de fazer com que nossa alma animal prevaleça.

Quando nós temos consciência dessa dinâmica, o que é que acontece? Nós percebemos que tudo tem mais sentido e mais munidas ficamos e assim conseguimos dar conta de não resistirmos ao trabalho que Há Kadosh Baruch Hu faz em nossa neshamá (alma)
E, especialmente naqueles dias que são mais cheios, mais atribulados, com mais desafios, precisamos nos dar conta de que, mesmo assim o Eterno nosso D´us, fica atento para os nossos pedidos de ajuda ou até mesmo pedidos de socorro. Mesmo que nós não consigamos nos organizar tão bem como nos dias mais normais, nos dias mais calmos, ainda assim, se nós tivermos uma kavaná (intenção genuína de obedecer), fizermos as rezas o melhor que podemos, e conseguirmos ler uma porção da Sua Torá, da literatura judaica, então Hashem certamente nos ajudará a termos mais equilíbrio e assim teremos mais condições de  conduzirmos o nosso dia e a tomada de decisões muito mais acertadamente, a ponto de não nos desgastarmos tanto com a pressão e com os desafios.

É importantíssimo lembrar que, buscar a Hashem de todo o coração, atrai sempre o que? A Sua Luz e a Sua inspiração e assim aprenderemos a viver na Sua força, sob a Sua direção e sob a Sua orientação.
Quando nós nos dispomos a ser recipientes verdadeiramente submissos, o que é que acontece? É claro que a manifestação da presença Divina será cada vez maior nas nossas vidas. Sempre que lembrarmos que fomos trazidas para esse mundo de Assiá e aqui fazemos uma retificação em nossas próprias vidas, nós então ficamos mais atentas para colaborarmos, como falei, com todo o trabalho que Hashem necessita fazer em cada uma de nós.

Rebe Menachem Mendel Schneerson também comenta que todos nós deveríamos querer viver uma vida significativa, e por essa razão devemos considerar nossas vidas como sendo algo muito precioso. Quando nós nos empenhamos em cumprir o propósito Divino pelo qual nós fomos criadas, aí então Hashem nos dá a visão do quão importante é, para nós contribuirmos com algo que também valha a pena para esse mundo. Nunca sabemos exatamente quando irá surgir uma oportunidade para que isso aconteça, assim todas nós deveríamos estar preparadas a qualquer momento, não é isso?
Por exemplo, você pode ter as melhores intenções e as maiores aspirações para realizar grandes coisas, grandes projetos que poderão ajudar muitas pessoas e até mesmo a humanidade como um todo, porém quando o seu dia é somente preenchido com atividades rotineiras, aí você pode acabar não tendo tempo para mais nada.

Com tantas horas que nós dedicamos à nossa própria sobrevivência, eu sei que muitas de vocês também tem os seus trabalhos seculares, e vocês também precisam, como todas nós, de organizar a casa, preparar as refeições, de cuidar de diferentes detalhes que envolvem a sua família, cumprir obrigações sociais etc. Então, será que sobra tempo para você alcançar objetivos mais elevados? Será que há uma maneira de você se organizar no seu dia-a-dia para sair dessa rotina, que por vezes se torna tão estressante? Então, pense um pouquinho nisso: em meio à agitação de uma vida que se torna muitas vezes, como eu disse, atribulada e sobrecarregada, como você pode ouvir a voz Divina, a voz de Hashem sussurrando e instruindo você no caminho que deve seguir?

É claro que é impossível para cada uma de nós eliminarmos nossas necessidades básicas porque todas temos as coisas materiais e físicas que precisamos de cuidar. E é interessante porque, Rebe Menachem sugere que, a única opção que nos resta é achar um fio, uma linha, que tenha a condição de unir todas as nossas atividades cotidianas e assim conseguiremos costurar todos os fragmentos que compõem o nosso dia-a-dia.
E, o que é este fio? O que significa esse fio?  Esse fio na verdade faz parte da  missão que Hashem nos instruiu para que nós cumpríssemos aqui na Terra: E, para isso, todas nós precisamos ser capazes de purificar a nós mesmas e cada aspecto de nossas vidas, do nosso intelecto e de nossas emoções até das atividades mais seculares que nós fazemos.

Na verdade, tudo em nossa vida se torna unido com uma só finalidade, que é a de eliminar a fragmentação. Assim, mesmo a atividade mais corriqueira acaba ficando impregnada de significação verdadeira, já que tudo o que fazemos tem o que? Tem um propósito Divino.
E como nós deveríamos nos conduzir para que isso se cumpra? O que fazer para que isso realmente aconteça? Veja só que interessante! A dica do Rebe é a seguinte: Nós deveríamos nos concentrar para entrar em contato com a nossa própria neshamá. E, como entramos em contato com nossa própria alma? Na verdade, o que devemos fazer é dedicar-lhe tempo.
Nós então, passaremos a santificar cada momento de nossa vida – não apenas quando estamos estudando ou conduzindo as nossas rezas, ou realizando ações caridosas e de ajuda a outros, como também quando estamos fazendo qualquer coisa mesmo! Qualquer atividade.

Eu vou mencionar agora então, algumas dicas importantes que o Rebe mencionou e, se você colocá-las em prática, você mesma sentirá essa experiência e certamente será bastante beneficiada:
1.     Em de vez de realizarmos nossas atividades cotidianas de uma maneira mecânica, vamos então procurar, a partir de agora, enxergar mais ainda a divindade em cada uma dessas atividades que nós vamos conduzindo ao longo do dia. É importante todas nós sentirmos o Espírito do Eterno nos conduzindo a cada passo do caminho.
2.          Então quando nós acordamos de manhã, podemos começar a refletir, mesmo que seja por um pequeno momento, enquanto ainda estamos deitadas, na seguinte questão: O que significa estarmos acordadas e vivas? Podemos começar então agradecendo a Hashem pelo novo dia, podemos refletir sobre o que gostaríamos de realizar de maneira a tornar esse novo dia como um dia bem significativo. E, se nós nos disciplinarmos para fazer isso a cada manhã, nós então começaremos a ver nossa vida por um ângulo novo e mais nítido.
3.         Concentrar-nos em nossa alma é uma atividade para o dia inteiro e não apenas nesse início de manhã. É fundamental adquirirmos o hábito de criar intervalos durante o dia quando podemos estar sozinhas, mesmo que seja por alguns poucos momentos, com nossa alma, com nossa própria neshamá e com Hashem. Fazer as Rezas é fundamental, porque delas extrairemos Luz Divina e inspiração para prosseguirmos no restante do nosso dia. Podemos também estudar um assunto significativo onde buscamos refletir sobre o Eterno e, ao mesmo tempo, meditarmos um pouco sobre o propósito da nossa própria existência. À medida que o nosso dia se torna cada vez mais agitado, mais ocupado, é importante relembrarmos o momento tranquilo quando nós acordamos e tivemos aquele pequeno tempo de reflexão.
4.      Outra dica é terminarmos o nosso dia, além de fazermos o ARVIT,  é importante fazermos uma pequena avaliação sobre o nosso próprio desempenho nos diversos momentos desse dia. Assim vai ser mais fácil reconhecermos que Hashem nos colocou aqui por um propósito, e que todas as nossas atividades devem expressar este propósito. E assim, quando vamos dormir com a decisão de que, não importa o quão bom – ou não tão bom – o dia tenha sido, é muito importante termos a emuná, a fé, de que amanhã será um dia melhor, certo? Se nós fizermos isso, nosso sono será mais tranquilo e o nosso despertar será mais significativo.
5.      Ao fazermos da comunicação com nossa alma, a primeira coisa do dia e a última coisa da noite, nós damos um novo significado para cada atividade que realizamos entre estes dois momentos. Em vez de nos deixarmos arrastar pelos inumeráveis acontecimentos triviais de qualquer dia, começamos então, a ter mais controle deles. Em vez de vermos centenas de fragmentos isolados, vemos um grande quadro e muitas peças das quais ele é composto.
6.        Quando nós descobrimos santidade, quando descobrimos divindade em tudo o que fazemos, a vida acaba tendo um sentido mais profundo! Quando administramos nosso trabalho secular, não estamos apenas trabalhando para sobreviver, mas utilizando nossas habilidades para ajudar a purificar o mundo ao instruir os outros e sermos um bom exemplo.  Quando conversamos com nossa família e amigos, não estamos apenas passando o tempo, mas tentando inspirá-los para que encontrem também o verdadeiro sentido da vida.
7.        Até mesmo o nosso sono assume uma nova dimensão. Em vez de encararmos o nosso sono como mais um fragmento da nossa vida, o tempo de sono se torna uma oportunidade de rejuvenescer nossa alma, uma vez que no Judaismo acreditamos que nossa alma volta durante à noite, para um lugar onde somos desligadas das preocupações materiais, e ao acordarmos pela manhã, nossa alma regressa renovada para um novo dia significativo. Lembram-se da reza do Shacharit quando dizemos “Modá ani lefanêcha...”. (ou seja, “Dou graças a Ti, Ó Rei vivo e existente que devolveste a minha alma com piedade, grande é a nossa fé em Ti”)? Hashem devolve a nossa alma ao acordarmos, certo?
8.        Mas quando você utiliza o seu tempo e cada instante de forma mais apropriada, preenchendo-o de finalidade e produtividade, então aquele momento se torna muito valioso.
9.       Esta é, segundo o Rebe, a chave para conseguirmos organizar melhor o nosso tempo – quando conseguimos então, ver o valor que existe em cada momento do nosso dia. Nós não podemos acrescentar mais minutos ao dia, certo?  Nenhuma de nós pode fazer isso, mas nós podemos utilizar cada um deles ao máximo. Como fazermos isso? Um dos segredos é então, nos envolvermos totalmente na atividade em que estamos engajadas em qualquer momento do dia, ignorando tudo o que veio antes e tudo o que virá depois. E, como podemos adquirir uma concentração assim? Reconhecendo que tudo o que você faz, é importante para o Eterno nosso D´us e é uma parte vital de um quadro mais amplo da sua vida!

Por outro lado, Alter Rebe, em seu livro Tanya, ele menciona que, assim como a alma preenche todo o corpo, dando-lhe vida, assim também Hashem preenche e permeia todos os mundos.

Assim, quando nós refletimos profundamente, prolongadamente sobre esse conceito – que é a verdadeira unidade do Eterno – o nosso coração se alegrará com essa fé Nele, e nossa alma ficará tão feliz a ponto de rejubilar e cantar com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu poder. Não sei quantas de vocês já tem tido essa experiência de sentir esse preenchimento dessa maneira!

Pois essa é uma fé extraordinária que preenche a nossa mente e o nosso coração e isso nos traz uma profunda experiência de proximidade com Hashem. Aí então Ele se revela para cada uma de nós e no nosso dia a dia. E, quando estamos impregnadas com a certeza plena da verdadeira unidade e grandeza de Hashem, nós seremos então capazes de superar qualquer obstáculo que nos impeça de cumprir as Suas Mitsvot. Pois, como pode alguém se colocar no caminho da Vontade de Ha Kadosh Baruch Hu? – E, qual é a vontade Dele? A vontade do Eterno nosso D’us é que todas nós obedeçamos as Suas Mitsvot. E é claro Eu estou falando isso de você, de mim e de todas nós que temos uma busca e um reconhecimento sincero da existência de Hashem e temos emuná, confiança plena do Seu amor por nós, que somos todas nós, verdadeiros fragmentos que nos dispomos a nos auto-anular diante da grandeza e da unidade do Eterno.

Outro ponto interessante e que está mencionado em um livro muito importante para nós dentro do Judaismo que é o Zôhar, ele comenta é o seguinte:: “Em que outro lugar estariam os olhos de uma pessoa sábia, isto é um homem ou uma mulher sábia têm seus olhos, seu interesse e preocupação e por conseguinte sua fala, concentrados “em sua cabeça” e, naquela luz está a Shechiná que repousa e paira acima de sua cabeça. E, essa luz que brilha sobre a nossa alma necessita de óleo (combustível para manter acesa a chama). Pois o nosso corpo é o pavio que retém a luminosidade da chama e a luz está acesa sobre ele. Assim, as boas ações que realizamos são o óleo que fornece a luz que por sua vez, ilumina a nossa alma. Portanto, a Shechiná não repousa sobre o corpo de uma pessoa, exceto através das boas ações realizadas por ela. Compreenderam isso?

E, quando temos uma consciência mais clara disso, o nosso dia a dia transcorre de uma maneira muito especial e com um verdadeiro significado. Assim, vamos nos con duzindo nessa vida com a certeza plena de que , não importa o que façamos, tudo passa a ter sentido e a valer a pena, vocês não acham? Não foi bom termos refletido um pouco sobre isso ? Então, a partir de agora, quando você acordar para começar um novo dia, tenho a certeza que o Espirito do Eterno irá te ajudar a lembrar de vários pontos que tratamos nesse estudo de hoje, certo? E assim todas nós, aprenderemos cada vez mais a viver os nossos dias de uma maneira mais profunda, com uma maior shalom e inspiração! Baruch Hashem por tudo isso que Ele nos ensina!!

E é curioso, quando eu estava concluindo este estudo que eu preparei para vocês,  Rav. Mordechai, o meu marido, publicou um texto em seu canal no Face que encaixou exatamente com o que Hashem havia me falado para passar aqui para vocês, e eu não sei quantas de vocês tiveram oportunidade de ler, por isso vou ler aqui agora para vocês uma parte deste texto. Ele diz é o seguinte:
“E, quando estabelecemos um tempo para orar e seguimos uma ordem diária de serviço Divino, internalizamos o serviço religioso dentro de nós. Assim como o Beit Hamikdash (Templo) é um receptor de Luz que supre para toda a Terra, assim também o serviço religioso que ocorre no interior de cada um de nós capta Luz para iluminar este mundo. Neste aspecto individual de cada alma, o Mashiach é uma lâmpada para este mundo, e cada um de nós nos tornamos luz na medida em que estamos também conectados ao Eterno. Todos nós e inclusive a alma de Mashiach estamos fazendo uma espécie de reparação para voltarmos a ser um recipiente que recebe luz direta do Eterno. Nós passaremos a receber agora então, a Luz do Eterno, não mais unicamente para uma auto-satisfação, mas sim para agradar o Eterno que tem prazer em nos fazer felizes. Mas, ao mesmo tempo, exercitaremos o desejo de doar compartilhando para outros fragmentos, que embora trabalhem junto conosco como um corpo, ainda assim terão funções distintas.
Em tudo isto o ponto fundamental se resume na nossa relação com o Eterno, a criatura com o Criador, e tanto o Mashiach, a Torah, os Tsadikim do povo Judeu e toda a revelação disponível, tudo tem como objetivo fundamental a nossa relação com o ETERNO. E, agora prestem atenção nesse trecho que diz: Quando uma pessoa consegue desenvolver uma percepção da vida que relaciona tudo dentro de uma comunicação direta com o Eterno, seja agradecendo, aprendendo lições, reconhecendo o propósito Divino em situações difíceis de entender e assim por diante, ela consegue enxergar além das circunstâncias e entende a lição pessoal em tudo o que ele faz. E foi exatamente isso que nós tratamos no estudo que fizemos agora há pouco, certo?
Ieshua ensinou que o Reino dos Céus está dentro de nós, que ele era luz (lâmpada) neste mundo e nós também somos luz neste mundo na medida em que estamos conectados com o Eterno, que tudo contribui para o que é bom para aqueles que amam ao Eterno e estão conectados a um chamado Divino.

E nós que fazemos parte da Casa de Israel temos muito a agradecer a Hashem por tanta benevolência e também por tantas revelações que Ele tem nos concedido e que nos animam a viver a cada dia mais neste plano que Ele traçou para a nossa vida de uma maneira tão maravilhosa, não é verdade?

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Auto-Estima na Mulher


Sabemos que as mitsvot básicas para as mulheres judias e que também são  acessíveis mesmo para as mulheres bnei noach  que obedecem a TORÁ são as seguintes:

1) Acender as velas do Shabat;
2) Preparar a chalá, assá-la, separando e queimando uma pequena quantidade de massa e recitando a brachá;
3) Alimentação casher – cashrut;
4) Leis da Pureza Familiar Taharot Hamispachá – como por exemplo no micvê – a imersão nas águas na noite anterior ao casamento.

Portanto, cada uma destas Mitsvot traz grandes bênçãos ao lar.
A mulher, tem assim, o poder inerente de refletir a luz para que a paz espiritual se manifeste no mundo físico, assim seguem abaixo alguns aspectos importantes que abrangem a vida de uma mulher que ama Hashem e Sua Torá:

1) Ela desempenha fielmente o papel feminino fundamental na religião judaica.  Pois, de acordo com o judaísmo é a mãe e não o pai que determina a religião dos filhos.
2)  Chinuch – educação dos filhos;
3) Tziniut – o comportamento recatado, que inclui o vestir-se com prudência – virtude, sobretudo no mundo atual onde prolifera a pornografia como algo natural – a mulher que não se valoriza.

“Disse o Rei Salomão: “Uma mulher de valor é a coroa de seu marido”

A luz interior da feminilidade possui uma qualidade essencial.
O papel do homem é ativar a força que se encontra adormecida numa mulher. Sem uma mulher, um homem não tem vínculo com a Shechiná.
No mundo vindouro, a qualidade da feminilidade se agigantará sobre o homem.

A mulher que segue os preceitos divinos, procura a cada dia, se aprofundar no conhecimento do seu Criador, para refletir  a Luz que recebe onde for, e mais especialmente, junto à sua família.” –

Auto-estima feminina
Podemos definir auto-estima como a forma que você se vê.
Quando ela está em níveis baixos, há  uma inumerável lista de consequências negativas, pois neste caso, a mulher tem a sua visão centrada apenas em pontos que ela considera negativos em si mesma.
A auto-estima  tem a ver diretamente com o nível da autocrítica.

Aproveito para lembrar que as mulheres são mais detalhistas que os homens e mais analíticas.
Estas e outras diferenças entre as formas masculina e feminina de se enxergar e enxergar o outro, explica muita coisa que acontece em casa, por exemplo.

Como você se vê é muito importante nos relacionamentos da sua vida e saiba, pode existir um abismo no que você pensa sobre si mesma e o que a outra pessoa pensa, também em relação às circunstâncias.

A auto-estima  expressa o quanto nos respeitamos e nos queremos bem e isso se reflete nas situações em que nos colocamos e nas decisões que tomamos.

A falta de conhecimento próprio e a autoimagem distorcida originam a baixa autoestima. Consequentemente, podemos concluir, que a Presença do Eterno precisa ser mais buscada também por isso. Por que?

Para explicar, começo me baseando nos comentários de Rambam sobre os mandamentos, no Sefer Hamitsvót, onde ele menciona:

1)     Crer e conhecer ao Eterno, não tendo nenhum outro deus diante de si;
2)     Crer que Ele é único;
3)   Amar ao Eterno – devemos respeitar, refletir e meditar sobre Seus mandamentos, Suas ordens e Suas obras, de maneira que possamos captá-Lo.
Também devemos estimular os demais a conhecer a verdade para que todos sirvam ao Eterno e amem todas as Suas obras

Se como mulher eu amo ao Eterno, amo as obras de Suas benditas mãos.
Ao crescer no conhecimento Dele e na intimidade com Ele, cresço no meu próprio conhecimento e sou nutrida por Sua Luz.
Sou reconhecida por Ele que me ama e me auxilia na minha caminhada.
Meu amor próprio, minha auto-estima se manifestarão, assim,  em níveis saudáveis .

Existem alguns sinais para identificarmos a baixa auto-estima  em uma mulher:

1)     Quando a mulher não gosta dela mesma, por isso faz escolhas ruins para si;
2)     Nos relacionamentos amorosos se envolve com pessoas que a tratam mal ou que não vão estar disponíveis;
3)     Nas relações pessoais busca amigas que não agregam nada de bom e somente sugam;
4)     No campo profissional não consegue evoluir, pois não tem confiança no próprio potencial e nem coragem para tentar algo novo, melhor;
5)     Ao primeiro obstáculo, já desiste;
6)  No meio de um grupo tem medo do que os outros vão pensar e tem vergonha de se expressar, de tirar as suas dúvidas, ou seja, todas este elenco aponta para uma direção, ela mesma, se desmerece.

Destaco que começa em casa a criação de uma autoestima saudável.
Durante a criação, as crianças precisam de atenção e reconhecimento.
O relacionamento familiar influencia por demais e conta para a criança quem ela é e dá parâmetros. Assim ela, desenvolverá  sua auto-imagem.

Quem teve esta relação deficitária, não recebeu referências suficientes de si mesma e, dessa forma, não consegue se enxergar de forma plena e positiva.
Isso pode se manifestar em uma mulher, como uma necessidade constante de se comparar aos outros. Quando nos comparamos com alguém só enxergamos o resultado final e não o processo que a pessoa passou para alcançar o objetivo.

Sobretudo as filhas tendem a repetir a abordagem das mães em relação a própria feminilidade e à aparência.
Sabendo de todos os problemas que o excesso de críticas pode causar, policie-se.

1   Evite se depreciar;
2) Jamais use apelidos negativos relacionados à aparência física ou sobre você.  Repreenda se outro membro da família ou alguém o fizer.
3)  Não desmereça perguntas ou queixas sobre mudanças no corpo.


O seu aperfeiçoamento, vai servir não só para você, mas beneficiará também sua família, seu meio e deverá levá-la ao cumprimento do propósito que o Eterno tem para você.

Diretrizes:

1)  Tenha uma visão realista (nem pessimista nem otimista) de si mesma, visando metas atingíveis aos poucos, sem distanciar a shalom do Eterno na sua vida;
2)    Tenha claro onde quer chegar e o que quer comunicar, inclusive através da sua imagem física;
3)  Mantenha-se o mais fiel possível aos seus objetivos, levando em conta que todo ser humano é passível de falhas;
4)   Cuide do seu corpo físico mas não dê a ele uma dimensão exagerada. O corpo é só um meio não um fim em si mesmo;
5)     Evite ser perfeccionista.

À medida que aumentar a confiança e a sua atitude positiva de mulher sobre si mesma, crescerá também a satisfação com relação ao convívio social e ao trabalho.
Finalizando a boa notícia é que apesar da auto-estima ser construída durante a infância e adolescência, pode ser tratada e recuperada em qualquer fase da vida.

(Estudo realizado por Bel Lintz)                                                                                   Leitura da A Ética do Sinai – comentário dos rabinos - Torá Oral – Mishná




segunda-feira, 4 de maio de 2015

O propósito dos votos, promessas e juramentos na vida da mulher


Retificação de si mesma , atrair a ajuda e presença divinas fortalecendo a espiritualidade.
Votos tem a sua essência às palavras proferidas, devem ser bons para o Reino dos céus, trazer a santidade para o nosso mundo físico, e colaborar para o nosso Tikun, e o Tikun Olam, reparação do mundo.
É muito importante rever os programas anteriores 3/5/8  " O poder da fala" e " O poder do Silêncio ", "Casamento companheiros eternos", sobre pensamentos, fala e ação, pois lembraremos conceitos essenciais para o pleno entendimento da fala sagrada em um voto.
É muito importante termos  plena consciência que nossas palavras e ações devem ser reflexo de um estreita vinculação entre a devoção religiosa e a conduta ética em cumprir a Torá de Hashem. Os votos ou juramentos a D'us  devem demonstrar a nossa reverência a Hashem, e jamais para profanar o divino Nome ( Chilul Hashem). Isto porque, nós judias fomos escolhidas por D'us para recebermos  a Torá e devemos comportar-se positivamente, de maneira íntegra, e dar um exemplo para toda a humanidade. Os não-judeus nos julgarão pelas nossas ações. ["Veja como se comportam lindamente aquelas que D'us escolheu"]. Quando uma mulher judia se comporta corretamente ao fazer seus votos,  ela faz um Kidush Hashem, santificação do Nome de D'us.
*Kidush Hashem é a Santificação do Nome de D'us
* Chilul Hashem é profanação do Nome.
A base bíblica para as leis de votos, promessas e juramentos na Torá:
*Importante rever em nosso canal no you tube a Parashá Matot Rav. Mordechai de 23/07/14.
Parasha Kedoshim Vaycra (Levítico) 19:12 Não jurareis falso em Meu Nome, profanando o nome de vosso Deus; Eu sou o Eterno
Cântico diário - Iom Rishom (Domingo) Salmo 24 "Quem subirá ao monte do Eterno?E quem estará no Seu Santo Lugar? Aquele que é limpo de mão e puro de coração, que não jurou em Meu Nome em vão e não jurou falsamente, receberá do Eterno, uma benção"
Parasha Matot Bamidbar (Números) 30:3-17 "Quando um homem fizer um voto ao Eterno, ou fizer um juramento para se obrigar a alguma abstinência, não profanará sua palavra; como tudo o que saiu de sua boca, assim fará. E quando uma mulher fizer um voto ao Eterno e se obrigar a alguma abstinência, estando em casa de seu pai, na sua mocidade,  e escutar seu pai seu voto e a abstinência a que ela se obrigou, e calar-se para com ela o pai, - afirmar-se-ão todas as suas promessas. 14 Toda promessa ou todo o juramento com que ela se obrigar para afligir sua alma, seu marido os confirmará ou anulará."
Na Parashá Matot temos uma discussão das leis sobre nedarim (promessas) e shevuot (juramentos), as leis de cancelar ou como anulá-los quando impossibilitados de serem cumpridos.
Anulações de Votos individuais das mulheres: Pai ou marido podem dizer "Sua promessa é inválida."
- Um pai pode cancelar a promessa que escutar de sua filha de menor(12 anos), solteira, ou filha que está noiva, que ele não aprove, apenas até o pôr-do-sol do dia em que ele a ouve. Se esperar além disso, será tarde demais.
- Um marido também pode cancelar as promessas de sua esposa. Ele deve também fazê-lo no mesmo dia em que a escutou. Se esperar até depois do pôr-do-sol, ela é obrigada cumprir a promessa.
A regulamentação neste momento, é que logo a seguir o povo enfrentaria uma situação de confronto, batalha sobre o povo de Midyan. A vitória na guerra dependeria do envolvimento e comprometimento total do povo em não proferir palavras contrárias ( votos irrefletidos e tolos) que poderiam causar danos espirituais e dificultar o povo em alcançar  a vitória na guerra.
Matot dá ênfâse quanto à realização de votos, e  regulamenta todas as instruções referente à responsabilidade quanto a anulação de votos exagerados, irrefletidos, ou de forma descuidada, levianos, sem sentido e tolos. Por  esta razão nossos sábios ressaltam que é melhor não fazer votos para que não seja necessário cancelá-los, mesmo por motivo justo ou por força maior.
Esta Parashá  nos ensina exatamente isto, que os votos ou juramentos ( palavras proferidas ) são importantes, e nós mulheres devemos sempre ser cuidadosas com as palavras que usamos, especialmente cautelosas em  fazer promessas, porque seremos  responsáveis por cumpri-la.
Definição:
NEDER (Voto)   é uma solene promessa que a pessoa faz em momentos de angústia, aflição, para Deus ajudá-lo a conseguir seu desejo, ou em alegrias como expressão de gratidão pelo favor que Deus lhe concedeu.
ISSAR ( abstinência) é um voto negativo, ou seja uma proibição que a pessoa se impõe a si mesma para não fazer ou desfrutar de alguma coisa que é lícita.
Shvuá (Juramento) Serve como um pacto entre a alma e D'us, para aprender Torá e cumprir as mitsvot,  como também purificar a grosseria do corpo físico, e retificar sua alma animal. Está etimologicamente relacionada à palavra Savá, significando satisfação ou saciedade.

O Propósito dos votos
Encorajarmos a nós mesmas a seguir um código de comportamento mais rigoroso;
Um meio de ganhar força na luta perene para a supremacia do bem sobre o mal;

Exercitar a força de vontade e sentido inatos de moralidade e retidão, a fim de sedimentar as defesas naturais contra o mal.

Dominar a má inclinação, o yetser hará, e a forçá-la ao reino da santidade. Isso não é  apenas "afastar-se do mal e fazer o bem", é purificar a grosseria do corpo físico, retificar sua alma animal. ( 3 níveis que abrangem o intelecto são: Chochmá, Biná e Daat.)
Um impulso psicológico, para lidar mais facilmente com as indesejáveis pressões externas contrárias ao cumprimento das Mitsvot.
Segundo os ensinamentos de Cabalá e Chassidut, a declaração de uma promessa ou juramento instila novas energias espirituais não automaticamente encontradas dentro do alcance humano, e conseguir sucesso em assuntos da Torá e transformar as trevas em luz no mundo em geral. TIKUN OLAM.
Exemplos de mulheres, os votos satisfatórios e seus motivos: Chana e Ester
Chana situação de grande desgosto que propiciou a realização deste voto.
Na época posterior aos juízes, Chana ( que era estéril) sempre acompanhava o marido que viajava ao Mishcan em Yerushalayim, e lá rezava a Dus, implorando-Lhe que lhe desse filhos.  Quando completou dez anos de casada, fez uma promessa a Dus: "Se D'us aceitar minha prece e me conceder um filho, eu o criarei como um nazir, cuja vida inteira será dedicada a D'us."
A sua prece sincera foi aceita, ela teve um menino, a quem deu o nome de Shmuel, Samuel ("D'us ouviu"). Ela manteve a promessa. Levou Shemuel ao Cohen Gadol no Mishcan, quando ele estava com dois anos de idade e havia acabado de desmamá-lo.
"Eis aqui o filho pelo qual rezei a Dus," disse. "Deixe-o ficar aqui e servi-lo."
Desde então, Chana via seu filho apenas uma vez ao ano quando ia ao Mishcan em Yerushalayim. O menino cresceu e tornou-se o famoso profeta Shemuel, líder de Benê Yisrael.
Ester - situação de grande perigo que propiciou a realização deste voto.
Fez um voto de jejuar por 3 dias para invocar a ajuda de Deus contra Hamán. Ela se apresentaria ao Rei Assuero, para ter a oportunidade de pleitear que os judeus espalhados pelo reino tivesse a chance de defesa, pois corriam perigo de morte. Por meio dela se conseguiu um contra-decreto. O jejum ordenado pela rainha Ester alcançou mérito e foi instituído assim o dia de Purim como memorial desta vitória. Tanto que o jejum é um costume de Purim, Taanit Ester (Jejum de Ester) - Jejua-se na véspera de Purim, do amanhecer até após a leitura da Meguilá, lembrando o jejum que Ester fez na época.
A forma CORRETA de fazer um Voto ou promessa.
Uma Promessa ou voto (neder) deve ter em sua fala um envolvimento pessoal, ou seja: algo condicional.
Do tipo: "Prometo que se.... então... Farei isto ou não farei isto."
Para estes tipos de negociações, os sábios criaram a expressão "Bli neder" (não é uma promessa, sem compromisso), geralmente usadas ao final desses "votos". Quem sabe numa forma de manter o costume do "judeu não jura".
" Se alguém declara: "Amanhã pretendo visitar meu amigo doente," ou, "Darei R$ 100,00 para tsedacá," deveria completar: "bli neder" para evitar que torne-se uma promessa.
Se alguém  se encontrar em extremo perigo (Ester) ou desgosto (Chana), pode prometer dar tsedacá ou cumprir alguma mitsvá na esperança de que Dus a salve.
CUIDADOS ao fazer votos
Um voto ou juramento é algo muito rigoroso na lei judaica. Quando alguém se proíbe um objeto ou atividade, o juramento é considerado uma obrigação legal, e permanece assim, indefinidamente.
Não fazer juramentos e promessas precipitadas ou que sejam muito difícil cumpri-los;
Quando fizer o seu voto ou juramento, estar plenamente consciente de todas suas implicações e responsabilidades. Avaliar bem todas as dificuldades de manter a sua promessa.
Não usar palavras proferidas impetuosamente, ou fazer votos dominada por fortes emoções, sejam elas dor, ira ou entusiasmo.
Os sábios cientes da fragilidade da natureza humana, para nós absolver de culpas, e liberarmos de votos  descuidados, tolos, os quais não tenhamos nos apercebido, podemos recorrer a uma corte rabínica de três integrantes ( um juiz perito em halachá judaica e dois sábios) que vão nos interrogar  em busca de uma pêtach charatá, " uma brecha para o arrependimento e revogação do voto" para anular votos ou juramentos feitos, se declararmos perante eles que estamos  arrependidos. Assim, podem nos absolver.
OBS: Antes da idade de bar ou bat-mitsvá, não é preciso ir ao Bet Din, se fez uma promessa descuidada da qual se arrepende. Estas promessas não têm validade. Mesmo assim, é uma boa idéia treinar a criança a não fazer promessas.
Exemplo 1:
"Teria feito esta promessa se soubesse que mais tarde se arrependeria?" pergunta-lhe o juiz. "Não," responde a pessoa que fez a promessa.
"Mutar lecha - você está livre dela", declara o juiz.
Exemplo 2:
 Alguém jura não negociar mais com uma pessoa específica, mas descobre que ela é a única fornecedora de um produto indispensável para a continuação de seus negócios. O tribunal rabínico indagará a pessoa em questão: " Pretendia manter este voto mesmo se a pessoa fosse a única que poderia fornecer-lhe os materiais a um preço favorável? " Se ela responder " Não" ( como é de se esperar), a corte declara o voto nulo e sem validade.
Exemplo 3: História da Guemará
Rav Manna certa vez fez uma promessa: "Nunca beberei o vinho de meu pai." Quando o pai soube da promessa do filho, ficou aborrecido. Por sua vez, Rav Manna sentiu-se mal por entristecer o pai e arrependeu-se da promessa.
O pai perguntou-lhe: "Se você tivesse pensado que eu ficaria aborrecido por causa de sua promessa, ainda assim a faria?"
"Não",replicou Rav Manna.
"Neste caso, está livre dela," declarou o pai. Este era um talmid chacham (sábio). Por isso, podia liberar o filho da obrigação de cumprir a promessa, porque achou uma boa razão para cancelá-la.
 Votos são a cerca da devoção.
Rab Akiva. Mishna 17 Erica dos pais Página 178
Segundo o grande sábio e Rav Akiva, os votos apenas deveriam ser feitos como uma cerca, com o único propósito de protegê-lo de seu próprio Ietser Hara em relação a sua devoção a Torá:
proteger contra as forças externas que exercem pressão para abandonarmos a Torá.
manter a tradição do cumprimento da Torá oral.
O Talmud aconselha evitar juramentos ou votos negativos, restrições ou abstinência um judeu pode impor-se, além daquelas ordenadas pela Torá, pois os  votos negativos, por um período muito longo, podem adquirir a força de uma lei da Torá.
Para o judaísmo, votos e juramentos são compromissos de extrema importância e a Torá é explícita neste ponto: Um mandamento bíblico afirma que uma promessa proferida não deve ser quebrada. (Números 30:3)Esta proibição é tão grave que o Talmud diz que o mundo treme diante dela e, portanto, não podemos nos aproximar de Dus para implorar Seu perdão sem antes nos termos livrado do grave pecado de ter violado nossa palavra a Ele.
A Midrash, o fato de jurar ou prometer algo em si é um pecado.
Parashá Ki tetsê Deuteronômio 23:22-23 "Quando fizeres algum voto ao Eterno, teu Deus, não demorarás em pagá-lo , pois o requererá o Eterno, teu Deus, de ti, e haverá em ti pecado. Porém, se abstiveres de fazer voto, não haverá em ti pecado."
Em geral, nossa tradição não vê com bons olhos as promessas e votos especiais, nem aprova totalmente as pessoas que se abstém de coisas permitidas pela Torá, por períodos muito longos, devido nossas fragilidades humanas, poderemos cometer a profanação no Nome do Eterno, D' us nos livre.
A respeito , o Talmud assevera que " que quem faz um voto negativo é chamado de pecador mesmo antes de cumpri-lo. ( Talmud de Bavli - Tratado de Nedarim 77b); ademais, se " alguém faz um voto, é como se construísse um altar desautorizado; e se o cumpre é como se oferecesse um sacrifício sobre ele" .
Esta situação está na Torá na lei que se aplica ao " nazir"( nazireu), que faz uma promessa de abster-se de beber vinho, cortar o cabelo e tornar-se ritualmente impuro: quando completa seu período de abstinência, que geralmente dura 30 dias, a Torá exige que ele ofereça um " chatát" ( oferenda por haver pecado).
Mas qual teria sido o pecado no voto negativo ( abstinência ) deste nazir?
Ter-se privado de alguns prazeres que são concedidos por D' us e constituem uma benção para a humanidade.
O Nazir está, de fato, acrescentando à Torá, por assim dizer. Aparentemente, ele considera as múltiplas proibições da Torá insuficientes, e deseja " aperfeiçoá-las", acrescentando novas.
Este pode ser um ato de devoção e adoração, mas está fora de lugar, sob o ponto de vista religioso. O Todo Poderoso ordenou a construção de um Templo sagrado em Jerusalém. Quem promete estaria obrigado a oferecer um sacrifício e a cumprir sua promessa no Yom Tov vindouro, quando visitar o Bet Hamicdash. Oferecer sacrifícios sobre altares não autorizados e situados em outros lugares é sinal de um forte impulso de adoração, mas ao mesmo tempo indica que a Torá não foi considerada suficiente.
Em geral, atualmente,o voto de nazir não é muito estimado no Judaísmo. Apesar disto, existem aqueles que escolhem fazer este voto, mesmo diante da desaprovação rabínica  assinalada. Para muitos, ser um nazir por algum tempo é proveitoso, pois reforça as determinações da pessoa em controlar suas paixões e impulsos tempestuosos.
Neste sentido, Rabi Akiva os considera uma cerca para o autodomínio para a pessoa de sangue ardente e paixões fortes, o que conduz ao riso e à frivolidade, no caminho para os prazeres ilícitos.
Neste caso, " os votos são a cerca da devoção", e são exatamente nestas situações e com esta finalidade que nossos sábios recomendam que se faça abstinência, um voto negativo.

Que Hashem abençoe a todas nós a retificar a nossa fala, afim de usá-la conscientemente para a realização de votos para que alcancemos a devoção religiosa e a conduta ética com o nosso perfeito auto domínio, com o único objetivo de Kidush Hashem!!
(Estudo realizado por Ana Carla Marques Silva)